Por que a solidão das mulheres deve entrar no radar das marcas
Tendências de consumo em tempos de solidão
Há algumas semanas falamos sobre como a exaustão feminina movimenta o milionário mercado de wellness no Brasil e no mundo. Além da nossa saúde física e mental, um outro aspecto está em crise: nossa saúde social.
O Brasil é um dos poucos países do mundo em que a solidão das mulheres é maior que a dos homens. Isoladas no ambiente doméstico, sobrecarregadas com tarefas do cuidado, exploradas em jornadas de trabalho mal remunerado e com a responsabilidade de sustentar seus lares: é claro que as mulheres estão se sentindo sozinhas.
A pergunta é: como elas vão reagir à solidão e que tipo de consumo isso vai pautar?
Se podemos usar como exemplo a busca por bem-estar como reação das mulheres à sensação de exaustão, a epidemia de solidão feminina aponta para dois caminhos opostos:
a) Formas não-humanas de companhia
A OMS admite que em casos extremos de isolamento a companhia artificial é melhor do que nada. Ela pode vir em forma de chatbots: uma em cada 10 pessoas que usam I.A. no Brasil as usam como amigas e conselheiras.
O mercado pet também tende a crescer ainda mais, com esses pequenos companheiros substituindo as conexões humanas, mais complexas e desafiadoras.
Por aqui ficamos pensando se o próprio hype dos bebês reborn não foi um tipo de grito de socorro.
b) Conexão em comunidades reais
Desejar comunidade é a reação natural quando nos deparamos com a solidão, mas esse caminho é cheio de obstáculos, como mostramos no GPS - Guia Para Socializar.
Ainda assim, devem surgir cada vez mais grupos movidos por interesses em comum. Hoje, 50% dos brasileiros participa de grupos intencionais. São conexões que não surgem por acaso, mas por uma escolha consciente de se conectar. <3
A tecnologia pode surgir como facilitadora desses encontros. Já temos alguns exemplos de apps e iniciativas que promovem encontros entre desconhecidos sem a intenção de criar pares românticos ou fazer networking e sim de gerar conexões e amizades.
Como as marcas podem ser aliadas da saúde social das mulheres?
No HackTown concordamos demais quando o crisdias falou que marcas não constroem comunidades, quem constrói comunidade são as pessoas e no máximo as marcas podem ajudá-las nessa tarefa. É algo que a gente também vem dizendo e praticando por aqui, por isso separamos alguns cases em que a 65|10 ajudou marcas a se conectarem e fortalecerem comunidades de mulheres e meninas:
Clear - Bora Jogar
Clear desejava comunicar a presença de Marta na embalagem de seu xampú feminino e de uma maneira que se conectasse às brasileiras apaixonadas por futebol. Primeiro a marca nos convidou para entender a relação das mulheres com o esporte preferido dos brasileiros. Identificamos que havia um gap de estímulo à prática esportiva entre elas e, por isso, a marca optou por direcionar parte da renda do produto que meninas e mulheres aprendessem a jogar. Fizemos a curadoria de escolinhas e clubes em todo o Brasil, fortalecendo a comunidade de jogadoras na base. Também criamos uma escola de futebol online que tinha como professoras ninguém menos que Marta e Emily Lima, ex-treinadora da seleção.
Jack Daniels - As Donas do Bar
Jack Daniels desejava se conectar ao público feminino através de uma ação de impacto positivo real. Para isso, fomos ouvir mulheres consumidoras de destilados e entendemos que o bar é um lugar de poder e liberdade e que empreendedorismo era um valor para elas. As donas de bares personificam essa sensação, representando mulheres poderosas à frente de seus próprios negócios. Criamos um guia de bares comandados por elas em SP e BH, ativado por encontros de um Clube do Whiskey só para mulheres e pub crawls. Dessa forma, nos conectamos verdadeiramente à comunidade de donas de bares e, através delas, às comunidades de mulheres que frequentam seus estabelecimentos.
Força Meninas - Meninas Curiosas, Mulheres de Futuro
Na maior pesquisa sobre o futuro profissional das meninas brasileiras, feita pela 65|10, Studio Ideia e Força Meninas, é claro que elas tinham que ser as protagonistas. Ouvimos meninas de todas as regiões brasileiras em rodas de conversa que reuniam garotas da mesma comunidade escolar para entender seus anseios e os obstáculos que enfrentam. Também ativamos a comunidade de meninas de altas habilidades que são incentivadas pela Força Meninas para entender como elas superaram esses obstáculos e perseguiram seus sonhos. Um report construído em conjunto com mais de 200 meninas de todo o Brasil e que virou um documentário imperdível.
Seja uma marca aliada!
Se você é de uma marca ou organização que quer entender (e apoiar) esse movimento, escreva pra gente. Temos mais de 10 anos de experiência com pesquisa e criação de projetos que apóiam as mais diferentes comunidades femininas. É só responder esse email para entrar em contato com a gente.


