O que não devemos sentir
Será que mulher é mesmo estar mais autorizada a sentir?
Reza o determinismo de gênero que as mulheres são mais sensíveis, mas se pararmos para pensar, quais são os sentimentos que nos são autorizados? Ternura, compaixão, amor, são sentimentos esperados das mulheres, talvez também tristeza, culpa e vergonha também estejam na lista. Mas e todos os sentimentos ligados à raiva? Sim, somos proibidas de sentir esta que é uma importante força de mobilização. Esta proibição é ainda mais cruel com as mulheres negras, que sofrem com o estereótipo da negra raivosa sempre que precisam se expressar com mais firmeza (e isso acontece o tempo todo em uma sociedade machista e racista).
Pois eu estou aqui pra te dizer que uma mulher com raiva é uma coisa linda.
No meu artigo mais recente para a Mina Bem Estar, abordei a raiva feminina e como podemos e devemos dar vazão à fúria que sentimos cotidianamente para demandar as mudanças que precisamos ver ao nosso redor.
Ultimamente tenho lido/estudado/conversado muito sobre cansaço feminino e a luta pelos nossos Direitos Descansistas (inclusive, você já leu o report?). Mas também tenho notado que o cansaço é um novo sentimento que está sendo permitido e naturalizado para as mulheres. Isso me lembrou de uma época em que eu era uma analfabeta sobre meus sentimentos e só sabia o nome de dois: cansaço e saudades. Será que não estamos dando o nome de cansaço a outros sentimentos?
Será que é cansaço ou raiva de quem nos sobrecarrega? E cansaço ou é
frustração por não termos a ajuda que precisamos? Cansaço ou ansiedade ao pensar na lista infinita de afazeres? Cansaço ou desânimo por não ver as mudanças que precisamos?
Claro que sentir esses incômodos também é cansativo! Mas quando a gente coloca tudo na conta do cansaço, a única coisa a se fazer é: nada. Raiva, frustração ansiedade e desânimo são sensações válidas e que nos direcionam à ação. Fico me perguntando se chamar tudo de cansaço não nos desmobiliza.
Quero saber de você: quais sentimentos andam pulsando por aí?
Um abraço,
Thaís Fabris, criadora da 65|10



