Não abra se for mulher
esta news é um papo com os homens
(se você é uma mulher curiosa e abriu essa news, não siga em frente. Aproveite o tempo que usaria na leitura e vá descansar.)
Talvez essa seja uma newsletter com uma baixa taxa de abertura, já que a maioria dos nossos assinantes são mulheres. Isso vale também para seguidoras em redes sociais, clientes e audiência em palestras: a maioria dos homens acham que os temas de que a gente fala não são problemas deles. Se você é homem (especialmente se for hétero, branco, cis) e está aqui, que legal, seja bem-vindo. Você provavelmente está buscando saber mais sobre como ser um aliado.
Esse papo é pra apontar alguns caminhos práticos para você agir agora.
Se você conhece uma mulher, você conhece uma mulher cansada. Sim, estamos todos cansados de alguma maneira, mas as mulheres estão carregando um peso maior.
As mulheres, em média, são responsáveis por 51% dos lares brasileiros, dedicam um dia a mais de trabalho por semana às tarefas do cuidado com a casa e os familiares e recebem 20% menos do que os homens nas tarefas remuneradas. Todos esses dados pioram quando falamos de mães e mulheres negras.
Não é à toa que estamos mais sujeitas a burnout e outros problemas de saúde mental. Homem, ser aliado, hoje, é assumir uma parte dessa carga e cobrar que outros homens façam o mesmo.
Tá, mas como dividir a carga?
Na vida privada: divisão igualitária de tarefas. Se você mora com uma mulher, faça sua parte nas tarefas de manutenção do lar. Se tem filhos, faça metade do trabalho de cuidado com eles, inclusive divida a carga mental. Na sua família tem idosos ou crianças pequenas? Como você está cuidando deles?
No mundo corporativo: se você está em posição de tomada de decisão, já conferiu se os salários da sua equipe estão igualitários? Agora é lei. O que está fazendo para combater o assédio e as micro-agressões? Como tem acolhido as mães no ambiente de trabalho?
Na vida política: em breve deve entrar em votação no STF a legislação que define a licença paternidade, algo que já estava previsto na Constituição mas nunca foi regulamentado. É dever dos homens se unir para lutar pelo direito de estar presentes nos primeiros meses de vida dos filhos, formar vínculos e aprender a cuidar deles.
Se você conhece 10 mulheres, provavelmente você conhece cerca de 4 mulheres que sofreram algum tipo de violência física, sexual ou psicológica no último ano.
A maioria dessas violências aconteceu dentro de casa, foi causada por um companheiro ou ex-companheiro e teve testemunhas, geralmente de familiares ou, pior, crianças.
O que você pode fazer para combater a violência contra a mulher?
Combata violências simbólicas. Combater a violência contra a mulher começa por combater a ideia de que mulheres são objetos de posse dos homens. Isso vai desde questionar aquele vídeo íntimo recebido no whatsapp dos brothers até rever o discurso dos conteúdos que consumimos e financiamos em campanhas publicitárias e que reforçam essa objetificação.
Viu algo? Diga algo, faça algo. É inadmissível a informação que 91,8% disseram ter sofrido violência na presença de terceiros no último ano e em 47,3% dos casos quem presenciou foram amigos ou conhecidos.
Cobre as autoridades. Na última década, programas de combate à violência contra a mulher sofreram sérios cortes e, mesmo com o aumento de investimento mais recente, estão longe de serem o suficiente. Oriente seu voto para quem prioriza esta pauta e cobre das autoridades iniciativas mais eficazes.
Março é o dito “mês das mulheres". Na 65|10, há 10 anos acompanhamos as mudanças de comportamento das mulheres brasileiras e traduzimos para o mundo corporativo. Neste período, temos visto dados que pioram a cada ano e expõem que está cada vez mais difícil ser mulher no Brasil. Junto dos dados, escutamos as histórias, conhecemos as mulheres, suas dores e também sua capacidade transformadora. Podemos e queremos ajudar marcas e empresas a serem aliadas e terem impacto positivo real sobre a vida delas. Se você é um homem em lugar de tomada de decisão, marca um papo com a gente. Se você é uma mulher curiosa e leu essa news até aqui, toma aqui um abraço.


uma mulher desobediente que não só abriu como também leu. que bom que li, mas melhor ainda seria se os homens lessem.