Como eu naveguei pela cidade e encontrei minha turma
vem que te conto como criar comunidade
Sou bicho que anda em bando. Quem me vê hoje sempre cercada de gente - seja no carnaval, nos projetos da 65|10 ou em mil rolês pela cidade - talvez não imagine que eu já me senti muito só. Fui uma criança, adolescente e jovem solitária. Eu tinha bons amigos, sim, mas me faltava a sensação de pertencer a algo maior. Descobrir o carnaval de rua mudou tudo pra mim. Ali encontrei minha turma, essa turma que anda comigo também nos corredores dos eventos corporativos.
É por isso que o nosso novo report GPS - Guia Para Socializar conta uma história que é muito íntima e importante para mim. Eu sei na pele como a solidão pode adoecer e sei também em primeira mão o poder das comunidades. Sei tão bem que hoje me considero uma especialista em criar comunidade, assim como nossas entrevistadas para o report. E hoje vou te contar um pouco sobre o que aprendi.
Você sabia que a 65|10 nasceu de uma comunidade?
Pois é! Foi lá no Facebook que, 10 anos atrás, começamos a nos reunir para discutir o papel das mulheres na publicidade. Esse grupo chegou a ter mais de 700 mulheres e, um orgulho: zero tretas. Nunca houve uma discussão que não fosse construtiva, pelo contrário, aprendemos muito naquelas trocas. Foi ali que começamos a formar a poderosa rede de mulheres que compõe a 65|10. Tem muita gente que está com a gente desde aquela época! O grupo do Facebook já não está ativo, mas segue bem vivo na vida real. É uma comunidade da qual eu cuido com todo carinho, composta por pessoas que eu amo e me inspiram.
Tudo que eu tenho foi a rua que me deu
Não muito depois do nascimento da 65|10, ganhei o mais incrível presente de aniversário: um bloco de carnaval para chamar de meu. Dois amigos que estavam aprendendo instrumentos se juntaram para tocar na minha festa e a partir daí nossas vidas foram transformadas para sempre. Ser organizadora e porta-estandarte de um bloco de carnaval é minha maior escola de comunidade. O bloco é um grupo auto-gerido, em que cada integrante tem um papel fundamental, uma visão de como as coisas devem ser, níveis diferentes de engajamento, é um sistema complexo! Aí sim, descobri que tretas fazem parte e a gente tem que conversar muito pra se entender. O bloco é uma comunidade dentro de outra maior: o próprio carnaval, com seu ecossistema de foliões, ambulantes, performers, músicos…Notou que eu não coloquei marcas e poder público nessa comunidade? É porque a festa acontece apesar deles.
Tem receita para criar comunidade?
Eu já suspeitava e as entrevistas para o GPS - Guia Para Socializar confirmaram: meio que tem sim.
Identificar: tudo começa com um interesse, então é necessário olhar para dentro e saber quais são suas paixões, o que é importante para você, em que você poderia colocar tempo e energia. No meu caso, mulheres na publicidade e carnaval eram hiperfocos.
Buscar: com certeza você não é a única pessoa com esse tema no coração, vá procurar sua turma. Sim, existem vários obstáculos e a gente ensina a desviar deles no GPS.
Agrupar: talvez pessoas com interesses parecidos com os seus já estejam reunidas em eventos comunitários, rodas de conversa ou grupos esportivos. Talvez estejam espalhadas por aí esperando você fazer um post perguntando onde elas estão. Pode ser que o espaço para elas se encontrarem ainda precise ser criado.
Divulgar: chame mais gente! Nessas horas a internet é aliada, mas confio também no bom e velho boca a boca.
Crescer: para a comunidade crescer e alcançar seus objetivos muitas vezes é necessário acessar recursos, seja em forma de dinheiro, espaço ou conhecimento. Juntos, vocês vão trazer cada vez mais gente para perto e fazer acontecer!
Cultivar: esse talvez seja o mais importante. Em tempos de atrofia social, nossos músculos de viver em comunidade estão fraquinhos, fraquinhos. É preciso reaprender a cultivar o convívio e tolerar diferenças por um bem maior.
Tenta e me conta como foi? Precisamos de mais e mais mulheres criando e participando de comunidades para combater a epidemia da solidão.
Acesse agora o estudo completo e, se você é de uma marca ou organização que quer entender (e apoiar) esse movimento, escreva pra gente. Damos palestras, criamos encontros e ajudamos a transformar cidade em cuidado coletivo.
Bora juntas cuidar da saúde social das mulheres?
Se você tem uma história legal de como criou uma comunidade, conta pra gente :)
Pra ouvir: estou no Mamilos Podcast dessa semana falando sobre sensualidade e te dando dicas de como recuperar sua energia de gostosa. Só vem que o papo com Ju Wallauer, Cris Bartis e Preta Rara tá uma delicinha.
Pra ler: se você encontrou comigo no último mês e não me ouviu falar de Dançando nas Ruas, será que você realmente encontrou comigo? O livro não é novo, soube dele pela news da Lalai Persson e me apaixonei pela história do êxtase coletivo e da importância de dançarmos junts.
Pra ver: Robô Selvagem, na Amazon Prime, parece apenas uma animação belíssima sobre uma robô que precisa sobreviver em meio à selva, mas na verdade é uma narrativa sensível sobre maternidade que me deixou emocionada.







Eu amei esse guia!!! E amei me ver aqui ♥️