Bar é lugar de mulher?
tem gente que ainda acha que não
Dois anos atrás, quando Jack Daniels nos procurou para criar um projeto que aproximasse a marca do público feminino com um impacto positivo real, pensamos: enfim os refrescos!
A gente vinha de uma maratona de projetos com temas muito pesados, daqueles que abrir o relatório faz chorar, sabe? Trabalhar a relação das mulheres com o whiskey e suas ocasiões de consumo pareceu bem divertido. Isso até nós irmos a campo para conversar com o público consumidor de diferentes idades e regiões (aqui na 65|10 os projetos sempre começam com uma bela etapa de pesquisa).
Expectativa: refrescos. Realidade: assédio.
Foi isso que encontramos em campo e é bem o que acontece quando as mulheres vão para o bar. Lá, elas sofrem desde abordagens inconvenientes até situações mais sérias, que levaram uma entrevistada a dizer: a gente sonha em voltar viva do bar. A verdade é que o que devia ser um espaço de poder e liberdade ainda carrega muitos estigmas. A mulher bebendo, principalmente uma bebida “forte” como o whiskey, é vista como presa fácil ou questionada se vai poder pagar a conta.
Se nos nossos estudos para os Direitos Descansistas vimos os diferentes fatores que levam à exaustão feminina, neste projeto percebemos que espaços de diversão e relaxamento também são vetados às mulheres. Nem no bar podemos realmente relaxar. Mas não se iludam: o lar continua sendo o espaço mais perigoso para mulheres, onde ocorre a maioria das violências.
Enquanto isso, existe um grupo de mulheres que tem uma dupla missão: ocupar o espaço dos bares e empreender num meio extremamente masculino. Estamos falando sobre as donas de bares, responsáveis por cerca de 30% dos estabelecimentos no Brasil. Foram elas as escolhidas para protagonizarem a comunicação de Jack Daniels com o público feminino, pois são a personificação do mote da marca: mulheres que criam seus próprios rótulos.
Enfim, os refrescos!
Nasceu assim o projeto As Donas do Bar, criado em um workshop mediado pela 65|10 no qual estabelecemos conceito, big idea, key visual, estratégia de canais e muito mais em apenas 4 dias. Para celebrar as mulheres por trás de grandes balcões, criamos um guia e uma série de ativações nas casas participantes. Em 2024 lançamos a primeira edição, com 10 mulheres que estão à frente de alguns dos melhores bares de São Paulo. Foi um sucesso e veio a segunda edição, que lançamos nesse mês de março.
Fazer a curadoria das empreendedoras que serão impulsionadas pelo projeto é uma tarefa árdua (nem um pouco), que nessa edição envolveu viajar a BH para visitar mais de 20 bares, onde comemos e bebemos do bom e do melhor. Para isso, contamos com o valioso repertório de Lorena Martins, editora de gastronomia do jornal O Tempo, que nos ajudou na seleção inicial.
Escolhidos os bares, é hora de entrevistar suas donas - ou proprietárias, como se diz em mineirês - para criar o guia de bares.
Nessa edição, além de fotos e textos para o guia, criamos também uma websérie em 3 capítulos sobre os sonhos e conquistas das Donas do Bar.
Ouvimos e ajudamos a contar histórias como a da Regilene, que tomou coragem para abrir o bar depois de quase morrer em uma cirurgia, ou da Iva - a Rainha da Picanha, a primeira empreendedora de sua família. Edi e Cris, mãe e filha, criaram o bar no quintal de sua casa inspiradas pela avó de Cris e suas receitas da roça. Lari e Aline têm nos seus bares um lugar em que se reconhecem boas no que fazem. Bel é historiadora e seu bar conta mil histórias e Camila saiu do mundo corporativo pra um bar de hambúrguer e encontrou seu lugar. São empresárias de muita garra, assim como as donas de bares que conhecemos em São Paulo. É uma honra imensa ajudar suas histórias a ganhar o mundo.
Impulsionar os negócios dessas mulheres é parte do objetivo do projeto. Por isso operacionalizamos um treinamento de coquetelaria com Jack Daniels e um encontro de networking para elas se conhecerem e trocarem experiências. Também temos materiais de ponto de venda divulgando o drink criado para o projeto por cada casa, placa comemorativa, pub crawl com influenciadoras e muito mais. Queremos ver esses bares prosperando assim como vimos em SP.
Para fazer tudo isso acontecer, contamos com uma equipe local composta pelas brilhantes Bia Braz, fotógrafa, Lorena Martins, jornalista, e Mari Cezário, produtora. É com o talento delas que tudo fica mais especial.
Bar não é lugar de mulher
O bar é palco de encontros, conversas e celebrações. É lugar de comemorar conquistas e chorar derrotas, de rir alto, dançar sem culpa, bater papo com as amigas ou simplesmente curtir a própria companhia.
Há muito tempo ocupamos a mesa, a pista, o palco. Há mais tempo ainda, estamos atrás do balcão, criando espaços seguros para outras mulheres. Quando servimos, quando brindamos, quando somos donas do bar ou da nossa própria noite, que possamos estar onde quisermos, exercendo a nossa liberdade.
Um brinde às mulheres na frente ou atrás dos balcões.
sua marca precisa contar uma história tão bacana quanto essa? Manda uma mensagem pra gente!






Esse projeto foi toda uma avalanche de emoções!